Da fraude científica à ruína dos povos: o mito da transmissão por assintomáticos

Será que foram tomadas medidas exageradas, com consequências devastadoras, baseadas em pressupostos errados? Como permitimos que tal acontecesse sem nunca haver o devido escrutínio?

Quão provável é a transmissão assintomática do vírus SARS-Cov2? E quão relevante é essa possibilidade, hoje e no futuro próximo? Estas duas questões são absolutamente essenciais e por isso é necessário resgatá-las para um debate alargado e plural.

A potencial transmissibilidade do SARS-CoV-2 através de indivíduos assintomáticos tornou-se um dos pilares dos planos de “combate” à crise sanitária do último ano e desde aí pouco ou nada se discutiu. Foi com base nesta premissa que se geraram esforços muitíssimo dispendiosos no encalce dos assintomáticos, acreditando que eles constituíam um motor de propagação da pandemia relevante o suficiente que justificasse o custo brutal imposto à sociedade – não apenas direto, mas indireto também, em consequência das políticas adoptadas.

Neste artigo faremos uma revisão dos acontecimentos e dos principais artigos científicos que se debruçaram sobre esta questão, absolutamente central no desenrolar da putativa pandemia.

1. Como surgiu a crença de que os assintomáticos são agentes de transmissão?

Historicamente, o papel dos assintomáticos na transmissão de infeções respiratórias foi sempre relativizado. A ideia consensual sempre foi a de que a transmissão assintomática seria muito mais rara e menos importante do que a que ocorre nas pessoas com sintomas.

Anthony Fauci, diretor do National Institute of Allergy and Infectious Diseases norte-americano e um dos principais membros da equipa da Casa Branca destacada para a COVID-19, afirmou a 28 de janeiro de 2020: [2]

Dr. Fauci on asymptomatic transmission
Dr. Fauci on asymptomatic transmission

“O que as pessoas precisam perceber é que, em toda a história de vírus respiratórios de qualquer tipo, mesmo que haja alguma transmissão assintomática, esta nunca foi a propulsora de surtos. Os surtos são sempre essencialmente dependentes do contágio em pessoas sintomáticas. Mesmo que haja um raro evento de transmissão por uma pessoa assintomática, uma epidemia não é causada por nem evolui com base em portadores assintomáticos.”

Dois dias após a declaração de Fauci (a 30 de Janeiro de 2020), surgiu uma carta dirigida aos editores e publicada no New England Journal of Medicine (NEJM) com um caso de uma transmissão por um indivíduo assintomático.

O polémico Fauci, que tem sido muito criticado por alegados conflitos de interesse com a Indústria Farmacêutica, reformulou subitamente toda a sua posição anterior, afirmando: [4]

“Não há dúvidas, depois de ler a carta [do NEJM], de que a transmissão assintomática é uma possibilidade (…). Isto esclarece a questão.”

Esta posição de Fauci, aparentemente definitiva, daquele que é denominado frequentemente como “o maior especialista em doenças infeciosas dos Estados Unidos”, atraiu enorme atenção mediática. No entanto, o citado estudo apresenta irregularidades irreparáveis.

O estudo foi baseado no suposto contágio a partir de uma mulher de negócios chinesa numa visita à Alemanha. Na carta, os autores do estudo referiam:

“Durante a sua estadia, ela estava bem, sem sinais ou sintomas de infeção, mas adoeceu no voo de volta para a China.”

Essa informação revelou-se falsa.

A cidadã chinesa apresentava realmente sintomas durante a sua estadia na Alemanha, quando entrou em contacto com o alemão que adoeceu, como relatado pela revista Science, poucos dias após a publicação da carta. O Instituto Robert Koch (RKI), a agência de saúde pública do governo alemão, em conjunto com a Autoridade de Saúde e Segurança Alimentar do estado da Baviera contactaram a mulher chinesa somente após a publicação do NEJM.

Na Alemanha não foi realizado qualquer teste para confirmar a eventual infeção com o vírus. A cidadã foi testada para o SARS-CoV-2 apenas na China, logo após o seu retorno da Alemanha, tendo sido obtido um resultado positivo.

Os investigadores não chegaram sequer a interagir com a mulher antes da publicação do artigo.

Um dos autores, Michael Hoelscher, do Centro Médico da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, afirmou que o documento se baseou em informações de outros quatro pacientes:

“Disseram-nos que a paciente da China não aparentava qualquer sintoma.”

O virologista Christian Drosten, do Charité University Hospital em Berlim, que fez o trabalho de laboratório para o estudo (do qual é um dos autores), disse à Science:

“Sinto-me mal com o que aconteceu, mas acho que ninguém foi culpado.” (…) “Aparentemente, a mulher não pôde ser contactada num período inicial e considerou-se que se tratava de algo que deveria ser comunicado rapidamente.”

(Nota: Christian Drosten tem estado envolto em polémica, por vários motivos, em relação a toda a questão da COVID-19. Um dos motivos é por ter sido ele a criar o protocolo, muito contestado pela comunidade científica, do teste RT-PCR para a COVID-19.)

Causa estranheza a publicação de uma carta tão fracamente fundamentada numa revista científica conceituada, e sobretudo as repercussões que teve ao gerar peso mediático suficiente para que a transmissibilidade dos assintomáticos viesse a ocupar um papel chave no corpo conceptual relativo à COVID-19.

O retratamento dos autores da carta não chegou para que Fauci voltasse a alterar a sua posição relativamente à questão dos assintomáticos.

A crença de que os assintomáticos constituíam grave perigo difundiu-se e avolumou-se, pelo que as declarações de Maria Van Kerkhove, chefe da unidade de doenças emergentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), a 8 de Junho de 2020, caíram como uma bomba ao referir que as transmissões por assintomáticos eram “muito raras”:

WHO Says Covid-19 Asymptomatic Transmission Is u2018Very Rareu2019
WHO Says Covid-19 Asymptomatic Transmission Is u2018Very Rareu2019

“Possuímos muitos relatórios de países que estão a fazer rastreamentos muito detalhados dos contactos com casos assintomáticos, não encontrando transmissões secundárias. Trata-se de algo raro e que ainda não foi publicado na literatura”.

As declarações foram divulgadas por toda a comunicação social a nível mundial e provocaram fortes reações. De um lado, reações de perplexidade, dadas as medidas adotadas com base nesse pressuposto; de outro lado, reações críticas. Fauci foi um dos críticos.

Van Kerkhove apressou-se a fazer nova intervenção, logo no dia seguinte, dando a ideia de algum recuo ou retratação em relação ao que havia proferido. Referiu que a sua afirmação sobre a transmissão entre assintomáticos ser bastante rara baseava-se nalguns estudos e rastreamentos feitos por vários países, mas que tal seria insuficiente para poder afirmá-lo peremptoriamente, porque os modelos informáticos estimaram cerca de 40% de transmissões entre assintomáticos.

#COVID19 LIVE Q&A with Dr Mike Ryan and Dr Maria Van Kerkhove - #AskWHO of 9 June 2020
#COVID19 LIVE Q&A with Dr Mike Ryan and Dr Maria Van Kerkhove – #AskWHO of 9 June 2020

Esta intervenção informou-nos de algo fundamental: os estudos no terreno dizem que as transmissões de assintomáticos são “bastante raras”, mas os modelos informáticos, que não são reais e dependem daquilo que neles é inserido, dizem que são significativas (40%).

2. O que dizem os estudos científicos?

São escassos os estudos que sugerem que os assintomáticos têm algum impacto na transmissão, tendo além disso, merecido críticas (algumas reconhecidas pelos próprios autores).

Mercedes et al. (2020)

  1. Falta de qualidade geral de revisões sistemáticas. Por exemplo, grande heterogeneidade dos estudos.

Heet al. (2020)

  1. Estudo proveniente da China, pouco replicável noutros pontos. Muito controlo no que é publicado naquele país.
  2. Muita dependência de testes PCR e dos protocolos usados (por exemplo, ciclos limite). Produzem número significativo de Falsos Positivos quando a amostra é grande.
  3. Grande dependência de modelos matemáticos e das suas pressuposições.
  4. Retrospetivo e, por isso, baseado em relatos pessoais, dependentes da memória, e como tal, menos fiáveis.

Weiet al. (2020)

  1. Estudo proveniente da China, com os problemas daí resultantes já referidos.

Efeito Moderado na Transmissão:

Um estudo sugeriu um impacto menor, mas ainda estatisticamente significativo. No entanto, também se trata de um estudo retrospectivo.

Efeito Reduzido ou Nulo na Transmissão:

Vários estudos

  1. A study on infectivity of asymptomatic SARS-CoV-2 carriers
  2. Contact Settings and Risk for Transmission in 3410 Close Contacts of Patients With COVID-19 in Guangzhou, China
  3. Household Transmission of SARS-CoV-2
    A Systematic Review and Meta-analysis
  4. Occurrence and transmission potential of asymptomatic and presymptomatic SARS-CoV-2 infections: A living systematic review and meta-analysis
  5. Post-lockdown SARS-CoV-2 nucleic acid screening in nearly ten million residents of Wuhan, China

concluíram que a transmissão entre assintomáticos era muito reduzida ou até mesmo nula. [22] Alguns apresentam boas metodologias, mas outros também não são isentos de algumas críticas.

Um dos estudos, [22] publicado na Nature, escapa à maioria das críticas, por apresentar uma amostra enorme (N = 10 milhões) e a confirmação laboratorial dos infectados. Nesse estudo, a evidência apontou para uma transmissão assintomática residual ou mesmo nula. Algumas outras revisões sistemáticas apontam na mesma direcção.

3. O que dizem as agências de saúde?

OMS

“Com base no que sabemos atualmente, a transmissão de COVID-19 ocorre principalmente em pessoas quando elas apresentam sintomas (…)”

European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC)

“As principais incertezas permanecem em relação à (…) dinâmica geral de transmissão da pandemia, devido à evidência limitada sobre a transmissão de casos assintomáticos.”

4. Conclusão

Os assintomáticos nunca foram considerados decisivos em epidemias ou pandemias, sobretudo nas que estão ligadas a doenças respiratórias. Mesmo quando se questionou este tema, as evidências científicas demonstraram-no. [25]

Sintomas como a tosse, espirros e corrimento nasal (isolado ou associado a espirros) parecem ser determinantes para a disseminação dos vírus. [1]

Segundo o Dr. Pedro Ladeira, especialista em microbiologia clínica e responsável pela área de infeciologia em algumas das maiores multinacionais farmacêuticas de investigação durante mais de 20 anos, não existem “assintomáticos contagiantes”, porque o seu sistema imunitário reduz a carga viral abaixo de um limiar onde não existem sintomas; e, se não há carga viral suficiente, não pode haver contágio para terceiros.

A contribuição que o relato de um caso – que não foi devidamente confirmado – teve na mudança de um paradigma científico com décadas de existência tem tanto de surpreendente como de preocupante. Constitui um sério alerta para a fragilidade do edifício científico atual que tem vindo a ficar gradualmente mais dependente de interesses económicos.

Este é também mais um dos sobejos exemplos em como modelos informáticos, que dependem inteiramente de hipóteses especulativas, podem falhar rotundamente, impulsionando crenças.

Torna-se inevitável terminarmos como começámos:

Será que foram tomadas medidas exageradas, com consequências devastadoras, baseadas em pressupostos errados? Como permitimos que tal acontecesse sem nunca haver o devido escrutínio, discussão e revisão de ideias, à medida que surgiam novos estudos?

É com base na ideia da relevância da transmissibilidade por via assintomática que se estimula o uso de máscaras, entre inúmeras outras medidas muito provavelmente desnecessárias, desproporcionais e infantilizadoras, que além do mais, são muito dispendiosas para os contribuintes (testagem massiva, recursos de proteção além do necessário e proporcional, etc.).

Urge, por isso, debater esta crença e corrigir o que for possível – em tempo útil. Errar é humano, mas alongar-se no erro, a poucos meses da próxima época gripal, seria absolutamente indesculpável.

Miguel Menezes éPsicólogo Clínico e da Saúde, Investigador e tem formação em Epidemiologia e Tiago Mendes éEconomista, Consultor e Professor.

From scientific fraud to the ruin of nations: the myth of asymptomatic transmission

Have excessive measures been taken, with devastating consequences, based on wrong assumptions? How did we allow this to happen without ever having proper scrutiny?

How likely is asymptomatic transmission of the SARS-Cov2 virus? And how relevant is that possibility today and in the near future? These two questions are absolutely essential and it is therefore necessary to rescue them for a broad and plural debate.

The potential transmissibility of SARS-CoV-2 through asymptomatic individuals has become one of the pillars of last year’s plans to “combat” the health crisis, and since then little or nothing has been discussed. It was on this premise that extremely costly efforts were made to track down asymptomatic individuals, in the belief that they were a relevant enough driver of the spread of the pandemic to justify the brutal cost imposed on society – not only directly, but also indirectly, as a result of the policies adopted.

In this article we will review the events and the main scientific articles that have addressed this issue, absolutely central to the unfolding of the putative pandemic.

1. How did the belief that asymptomatic people are agents of transmission come about?

Historically, the role of asymptomatic patients in the transmission of respiratory infections has always been relativised. The consensus view has always been that asymptomatic transmission would be much rarer and less important than that which occurs in people with symptoms.

Anthony Fauci, director of the US National Institute of Allergy and Infectious Diseases and a key member of the White House team assigned to COVID-19, said on 28 January 2020: [2]

Dr. Fauci on asymptomatic transmission
Dr. Fauci on asymptomatic transmission

“What people need to realize is that in the entire history of respiratory viruses of any kind, even if there is some asymptomatic transmission, it has never been the driver of outbreaks. Outbreaks are always essentially dependent on contagion in symptomatic people. Even if there is a rare event of transmission by an asymptomatic person, an epidemic is neither caused by nor evolves on the basis of asymptomatic carriers.”

Two days after Fauci’s statement (on 30 January 2020), a letter appeared addressed to the editors and published in the New England Journal of Medicine (NEJM) with a case of a transmission by an asymptomatic individual.

The controversial Fauci, who has been widely criticised for alleged conflicts of interest with the Pharmaceutical Industry, suddenly reformulated his entire previous position, stating: [4]

“There is no doubt, after reading [NEJM’s] letter, that asymptomatic transmission is a possibility (…). This clarifies the issue.”

This seemingly definitive Fauci position from what is often referred to as “the leading expert on infectious diseases in the United States” has attracted enormous media attention. However, the cited study has irreparable irregularities.

The study was based on alleged contagion from a Chinese businesswoman on a visit to Germany. In the letter, the authors of the study stated:

“During her stay, she was fine, with no signs or symptoms of infection, but became ill on the flight back to China.”

That information turned out to be false.

The Chinese citizen was indeed showing symptoms during her stay in Germany when she came into contact with the German who fell ill, as reported by Science magazine, a few days after the letter was published. The Robert Koch Institute (RKI), the German government’s public health agency, together with the Bavarian State Health and Food Safety Authority contacted the Chinese woman only after NEJM published the letter.

No test was carried out in Germany to confirm possible infection with the virus. The citizen was tested for SARS-CoV-2 only in China, soon after her return from Germany, and a positive result was obtained.

The researchers did not even interact with the woman before the article was published.

One of the authors, Michael Hoelscher, from the Ludwig Maximilian University Medical Centre in Munich, said the paper was based on information from four other patients:

“We were told that the patient from China did not appear to have any symptoms.”

Virologist Christian Drosten, from Charité University Hospital in Berlin, who did the lab work for the study (of which he is one of the authors), told Science:

“I feel bad about what happened, but I don’t think anyone was to blame.” (…) “Apparently, the woman could not be contacted in an early period and it was felt that this was something that should be communicated quickly.”

(Note: Christian Drosten has been embroiled in controversy, for various reasons, in relation to the whole COVID-19 issue. One of the reasons is that he was the one who created the much contested RT-PCR test protocol for COVID-19).

The publication of such a weakly based letter in a reputable scientific journal, and especially the repercussions it had in generating enough media weight for the transmissibility of asymptomatics to occupy a key role in the conceptual body of work regarding COVID-19, is surprising.

The authors’ retraction of the letter was not enough to make Fauci change his position on the issue of asymptomatics.

The belief that asymptomatics were a serious danger was widespread and growing, so the statements by Maria Van Kerkhove, head of the emerging diseases unit of the World Health Organization (WHO), on 8 June 2020, dropped like a bombshell when she said that transmissions by asymptomatics were “very rare”:

WHO Says Covid-19 Asymptomatic Transmission Is u2018Very Rareu2019
WHO Says Covid-19 Asymptomatic Transmission Is u2018Very Rareu2019

“We have many reports from countries that are doing very detailed contact tracing of asymptomatic cases, finding no secondary transmissions. This is something that is rare and has not yet been published in the literature.”

The statements were disseminated throughout the media worldwide and provoked strong reactions. On the one hand, reactions of perplexity, given the measures adopted on that basis; on the other hand, critical reactions. Fauci was one of the critics.

Van Kerkhove hastened to make another speech, the very next day, giving the idea of some retreat or retraction from what he had said. He said that his statement about asymptomatic transmission being quite rare was based on some studies and screening done in several countries, but that this was not enough to say so definitively, because computer models estimated about 40% of asymptomatic transmissions.

#COVID19 LIVE Q&A with Dr Mike Ryan and Dr Maria Van Kerkhove - #AskWHO of 9 June 2020
#COVID19 LIVE Q&A with Dr Mike Ryan and Dr Maria Van Kerkhove – #AskWHO of 9 June 2020

This intervention informed us of something fundamental: the studies in the field say that transmissions from asymptomatic patients are “quite rare”, but the computer models, which are not real and depend on what is entered into them, say that they are significant (40%).

2. What do the scientific studies say?

Studies suggesting that asymptomatics have some impact on transmission are scarce, and have moreover earned criticism (some acknowledged by the authors themselves).

Mercedes et al. (2020)

  1. General lack of quality of systematic reviews. For example, high heterogeneity of studies.

Heet al. (2020)

  1. Study from China, poorly replicable elsewhere. Too much control in what is published in that country.
  2. A lot of reliance on PCR tests and the protocols used (e.g. limit cycles). Produce significant number of false positives when sample size is large.
  3. Heavy reliance on mathematical models and their assumptions.
  4. Retrospective and therefore based on personal accounts, dependent on memory, and as such less reliable.

Weiet al. (2020)

  1. Study sourced from China, with the resulting problems already mentioned.

Moderate Effect on Transmission:

One study suggested a smaller but still statistically significant impact. However, this is also a retrospective study.

Reduced or No Effect on Transmission:

Several studies

  1. A study on infectivity of asymptomatic SARS-CoV-2 carriers
  2. Contact Settings and Risk for Transmission in 3410 Close Contacts of Patients With COVID-19 in Guangzhou, China
  3. Household Transmission of SARS-CoV-2
    A Systematic Review and Meta-analysis
  4. Occurrence and transmission potential of asymptomatic and presymptomatic SARS-CoV-2 infections: A living systematic review and meta-analysis
  5. Post-lockdown SARS-CoV-2 nucleic acid screening in nearly ten million residents of Wuhan, China

concluded that transmission among asymptomatic persons was greatly reduced or even nil. [22] Some present good methodologies, but others are also not without some criticism.

One of the studies, [22] published in Nature, escapes most criticism because it presents a huge sample size (N = 10 million) and laboratory confirmation of those infected. In that study, the evidence pointed to residual asymptomatic or even zero transmission. Some other systematic reviews point in the same direction.

3. What do health agencies say?

WHO

“Based on what we currently know, transmission of COVID-19 occurs mainly in people when they have symptoms (…)”

European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC)

“Major uncertainties remain regarding the (…) overall transmission dynamics of the pandemic, due to limited evidence on transmission from asymptomatic cases.”

4.Conclusion

Asymptomatics have never been considered decisive in epidemics or pandemics, especially those linked to respiratory diseases. Even when this has been questioned, scientific evidence has demonstrated that. [25]

Symptoms such as coughing, sneezing and nasal discharge (alone or associated with sneezing) seem to be determinants for the spread of viruses. [1]

According to Dr. Pedro Ladeira, a specialist in clinical microbiology and responsible for the area of infectiology in some of the largest research pharmaceutical multinationals for more than 20 years, there are no “contagious asymptomatics” because their immune system reduces the viral load below a threshold where there are no symptoms; and if there is not enough viral load, there can be no contagion to others.

The contribution that one case report – which has not been properly confirmed – has made to changing a decades-old scientific paradigm is both surprising and worrying. It is a serious warning about the fragility of the current scientific edifice, which has gradually become more dependent on economic interests.

This is also one of the many examples of how computer models, which depend entirely on speculative hypotheses, can fail miserably, driving beliefs.

It becomes inevitable that we end as we began:

Have overreaching measures, with devastating consequences, been taken based on flawed assumptions? How did we allow this to happen without ever proper scrutiny, discussion and revision of ideas as new studies emerged?

It is on the idea of the relevance of asymptomatic transmissibility that the use of masks is encouraged, among countless other measures that are most likely unnecessary, disproportionate and infantilising, which are moreover very costly to taxpayers (massive testing, protective resources beyond what is necessary and proportionate, etc.).

It is therefore urgent to debate this belief and correct whatever is possible – in good time. To err is human, but to dwell on the error, a few months before the next influenza season, would be absolutely inexcusable.

Miguel Menezes is a Clinical and Health Psychologist, Researcher and has a background in Epidemiology and Tiago Mendes is an Economist, Consultant and Professor.

Source: Da fraude científica à ruína dos povos: o mito da transmissão por assintomáticos – Observador

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